sábado, 21 de novembro de 2009

Twitter: "causação"



Li esse texto, chamado "Movimento Twitterário", no Uhull.com.br.

Ele encaixa perfeitamente em várias coisas que ferramentas como o Twitter vem "causando" não só na internet, mas na vida pública. Falação, interação, enfim... enxergo muito de tudo isso como uma busca pelo "aparecer". Quem tem acesso a internet, já pode estar lá tentando se entrosar com celebridades, ganhando seus 2 minutos e meio de fama - arrecadando seguidores e amiguinhos no orkut, além de buscar contatos sensuais para seu MSN.


A situação inicial do texto é a história de um sequestro.


– Não se mexe.

Eram 4 da tarde quando Jurema sentiu o cano gelado do revólver 38 do bandido entre a penúltima e a última costela.

– Abre a porta e entra sorrindo, como se fôssemos amigos – disse o bandido, bem vestido e sem aspecto ameaçador.
Obediente, Jurema entrou no seu prédio, no número 3422 da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. No elevador, suas pernas tremiam. Chegaram a seu apartamento, o 1506. Ninguém em casa, Jurema morava sozinha.

– Fecha a cortina.

– Claro.

– Onde fica o cofre?

– Não tem cofre. Guardo o dinheiro naquela gaveta.
– Então vai lá e pega. Mas sem gracinhas, viu?

– Olha, eu quero colaborar.
– Quer? Então diz aí, cadê as jóias?

– Não tenho jóias.

– Olha…
– Juro…

Subitamente, um rascante som de sirene irrompeu o ambiente, quebrando o silêncio, mas não a tensão. Na rua, três carros de polícia com policiais fortemente armados posicionaram-se em frente ao edifício. Ao lado deles, cinco carros da Imprensa, nacional e internacional. O drama de Jurema estava na TV. E o mundo passou a mirar aquela fresta de janela no 15º andar de um prédio até então qualquer.


Poucos minutos depois, para alvoroço geral, Jurema apareceu na janela. Trazia o seguinte cartaz, escrito em letras de forma: “ELE VAI SE COMUNICAR ATRAVÉS DO MEU TWITTER”. Em seguida outro cartaz dizia “SIGAM @JUREMINHA89”. Em minutos, o Twitter @jureminha89 era o mais seguido da internet em todo o mundo, atingindo 4.342.653.230 seguidores. Todos apreensivos pela primeira mensagem. E ela veio, traduzida pelo @translatingjurema, prontamente criado por um professor de português e inglês.


@jureminha89: Quero um carro blindado com um motorista.


Em seguida, milhões de RTs. Milhares de replies. Três foram os posts mais retwittados.


@marciopereira: @jureminha89: Blindado? Meu tio tem uma loja de blindagens. Telefone 2032-3213. Faz em 2 dias.


@albertopinto @jureminha89: Com esse trânsito, tomara que a blindagem seja boa, porque a polícia vai atirar de perto.


@pedromancini @jureminha89: Pede um helicóptero, burro.

A polícia rapidamente cadastrou-se no Twitter com o nome de @PMilitar e usou a foto do Capitão Nascimento como avatar. @PMilitar logo passou a seguir @jureminha89, mas não sem pedir para que a mesma a seguisse. Assim que ela obedeceu, @PMilitar enviou uma DM para o facínora:


@PMilitar d @jureminha89 Calma. Está tudo bem aí?

@jureminha89 A polícia me mandou isso por DM: “Calma. Está tudo bem aí?”


@jureminha89 Tudo bem é o caralho! Meu blindado com motorista. Ou o próximo post da jurema será póstumo.

A polícia, vendo que seus DMs seriam publicados pelo bandido, passou a twittar publicamente.


@PMilitar Precisamos de uma prova de que a moça está bem.

@jureminha89 Cliquem nesse link, seus merdas: http://twitpic.com/p3jka


Um link do Twitpic mostrava Jurema tranquila, com um sorriso para a câmera. Alívio geral. Deboche também.

@julinho Gostosa essa @jureminha89, hein. Morre fácil.

@chico_xavier @jureminha89 Fica tranquila, menina, se você morrer pode se comunicar com a família através de mim.

@brunoXC @jureminha89 #freejurema.


Percebendo a proporção que o fato tomou, o assaltante disparou o seguinte post.

@jureminha89 Se o tag #freejurema não entrar nos Trending Topics em 1 hora, a moça morre.


Esse post foi o suficiente para que, em 10 minutos, #freejurema liderasse os Trending Topics do Twitter.


@jureminha89 @PMilitar Viu, seus babacas. Eles e eu queremos libertar a moça, mas sem o carro e o motorista, nada feito.


@PMilitar Se entrega, prometemos não agredir você.


Segundos depois, pra surpresa geral, o seguinte post:


@jureminha89 Agora quem tá escrevendo é a Jurema. Pai, mãe, eu amo vocês. Por favor entreguem o carro.


Uma equipe da Rede Globo na casa dos pais de Jurema, mostrou ao vivo a reação da família. A mãe se benzeu, o pai apertou o terço com força. Dois tios se abraçaram. Segundos depois, o perfil @familiadajurema publicou uma foto com a família toda segurando uma placa, na qual se lia“ Juju, te amamos”.

@jureminha89 Sou eu de novo, o bandido. Cadê meu carro?


@PMilitar Está a caminho…


Nessa altura, tanto a twittosfera quanto toda a mídia tradicional de todo o mundo só falava do caso Jurema. O planeta parou para acompanhar o sequestro. Orações em diversas línguas, para diversos deuses, foram postadas no Twitter.
Passou-se uma hora sem comunicação alguma entre ambas as partes. Nem @jureminha89, nem @PMilitar twittavam. Até que Jurema twittou.

@jurema Gente! O bandido fugiu pelo terraço. Mas me obrigou a esperar 10 minutos antes de divulgar. Estou LIVRE!!!!!!!


Segundos depois, a polícia invadiu o apartamento. Com lágrimas nos olhos, Jurema abraçou um policial. Um único pensamento assaltava sua mente: “Como é fácil conseguir bilhões de seguidores com uma pequena mentira”.



sábado, 14 de novembro de 2009

Pequenos sonhos idiotas



Os pequenos sonhos idiotas nascem e morrem todos os dias. Surgem nos momentos mais aleatórios e fazem com que desejemos algo - que nos traria uma alegria que não faz muito sentido. Como quando torcemos para que o cara xarope da turma tropece durante a apresentação de um trabalho - ou que a máquina do fliperama dê tilt, e se possa ficar jogando de graça a tarde inteira. Hoje, pude assistir um vídeo que mudou a minha vida - pelo menos até amanhã.




Personagens non-sense que residem em nosso inconsciente se degladiando, com direito a fritas médias com coca. Um sonho já foi realizado...

O outro, no momento, é descobrir aonde achar essa bizarrice para baixar.




PS: A comemoração de vitória do Ronald McDonald é um show a parte.

PS2: Acho que sou meio idiota.

PS3: Eu ia fazer uma piadinha monga aproveitando o gancho sobre videogames, "PS2", "PS3"... mas isso reforçaria a observação acima de maneira colossal.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Qual seu favorito?


Eu tinha pensado em fazer um texto sobre música. Era um texto muito bom na minha cabeça. Mas, quase como sempre, a inspiração que de repente me veio, não mais do que de repente foi embora, assustada com o caos e as luzes na minha mente, talvez. Hoje ela voltou, acanhada, com medo, mas voltou. Voltou diferente. Não vou mais falar sobre tudo, vou falar só de uma banda.
Apesar do relativo sucesso que eles fizeram, ninguém hoje deve se lembrar. Pudera, duraram apenas uma década. Quem é que faz história em uma década?



Eles fizeram, e todo mundo lembra. Esses caras aí do vídeo formaram, de acordo com a grande maioria das pessoas, a maior/melhor banda já formada. Eu não gosto desse tipo de rótulo. Faz parecer que nada melhor nunca vai aparecer, é injusto. Mas nesse caso, parece fazer algum sentido. E eu não falo nem de qualidade. Não consigo ver nenhuma coisa de outro mundo nas músicas ou nos álbuns deles. Não é minha banda favorita, nem nada disso. Mas tem certos fatos que não dá pra negar.

O quarteto passou por diversas fases durante a carreira. O que é incrível é que a qualidade se manteve. Do pop mais meloso até o mais subversivo rock'n roll. Mesmo no fim da carreira, quando, ao que parece, um não aguentava mais olhar pra cara do outro, as canções pareciam melhorar. O álbum Abbey Road, por exemplo, um dos mais aclamados da história, é um dos últimos. Foi feito em 1969, quando a relação entre os 4 já tinha ido pro brejo.

Outro fator relevante é o sucesso entre as mulheres. Talvez tenha sido a primeira banda a ser assediada e a ter gritos estridentes como sonoplastia nas apresentações. Hoje, eu conheço diversas meninas que os adoram. É cool gostar do fab four. E, cá entre nós, eles não representavam e nem representam nenhum modelo de beleza. Porém, considerando o velho pensamento de que se ganha uma mulher pelos ouvidos, por aquilo que se diz a ela, faz bastante sentido. A fase romântica, por assim dizer, esteve presente no grupo durante todo o tempo, e, como não podia deixar de ser, as letras dessas canções estão entre as melhores do gênero.

E como se tudo isso não bastasse, depois de quase 40 anos da separação da banda, ela é uma das maiores referências culturais da nossa época. De cabeça, sem pensar muito, pensei em 5 filmes feitos nessa década que em algum momento mencionam o quarteto. Sem contar a influência. A inovação. A beleza das letras. Os fantásticos instrumentistas que eram.

E foram apenas 10 anos.



Ps: George, sem dúvida. Eu sempre preferi os coadjuvantes. Mas nem tanto a ponto de escolher o Ringo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

23:43



No terminal, esperando o ônibus. Ele vai chegar em 10 minutos. É o último da noite. Meu corpo está cansado demais para ir para casa a pé. Sento e espero.
Penso nos compromissos de amanhã, e como só pensar já me leva pra lá. O tempo não existe. São 23:44. Duas mulheres estão sentadas no banco ao meu lado. A ruiva é bonita, de rosto e de corpo, embora aparente já estar beirando os 40. A outra, loira. Não consigo reparar nela. Lembro da mulher que nunca esqueço, da menina que assombra minha alma, e dos sonhos jogados ao vento. São 23:45. Olho pra rua em frente, os carros passando, a cidade passando. As luzes. Cara, eu preciso de um carro. São 23:46. Minha mente está cansada. As mulheres ao lado começam a conversar. Desconhecidas tentando fazer o tempo passar mais rápido. Me distraio observando as pessoas, de um lado pro outro. Pra onde elas vão? De onde vêm? Que música é essa? Um casal para ao meu lado para ver o horário dos ônibus. Ela é bonita, ele tem uma tatuagem no ombro e o cabelo rastafari. Talvez ele seja quem eu queria ser. Alguém diferente de mim. São 23:48. Perdi 2 minutos. Ganhei 2 minutos. Lembro do futuro, o imagino. Observo as pessoas correndo, com medo de perder seus ônibus. Elas também devem precisar de um carro. Observo as pessoas do lado de fora do terminal. Dois homens conversando em um canto escuro. Vejo fumaça saindo da boca de um deles. Drogas? Só mais um negócio. São 23:51. Penso na noite, na lua dormindo no céu. Lua crescente. Sempre preferi a noite. Me sinto melhor. São 23:52. Penso na minha casa. O sono e a fome castigam. Penso na janta me esperando. O ônibus desponta na curva. Sensação de alívio. Um sujeito passa apressado na minha frente, mas sem correr. Quanto tempo ele tem? O tempo não existe. Na entrada do terminal, ele cruza com meu ônibus, que chega. São 23:54. A música era Eleanor Rigby, dos Beatles. Pessoas descem, pessoas sobem, eu subo. Não penso em mais nada.


Só o Paul, mas tá valendo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Até que a morte os liberte



Escutar conversa no ônibus é uma relação social bastante interessante. As pessoas acabam demonstrando, sem querer, vários traços dos seus relacionamentos durante inocentes conversas em público. Quem nunca ouviu aquelas simpáticas senhoras falando sobre a vida da vizinha meretriz, ou do genro vagabundo, ou do filho estudioso, quase sempre com aquelas vozes amenas e suaves, parecidas com o som contínuo do trânsito as 6 hrs da tarde.

Pois bem, dia desses eu ouvi algo que me fez pensar sobre as relações humanas e tudo mais. Não foi nem no ônibus, foi esperando o meliante. Tava no tubo, ouvindo rádio no celular (meu mp3 faleceu já a algum tempo) com um fone apenas, em parte pra deixar a outra orelha atenta ao mundo, em parte por que o outro fone também não está mais entre nós, quando toca o celular da senhora ao meu lado. Ela atende e segue um diálogo mais ou menos assim:

-Ah, agora você ta aí!!
-Pois é, mas antes não tava!!!
-Não interessa! Tinha que estar em casa!
-Deixa eu falar com o meu filho..
-E acho bom que você esteja aí quando eu chegar!!
...
- Oi meu amor! Mamãe já tá chegando, tá?
- To levando alguma coisinha pra você comer
- Beijo, te amo. E ó, não deixa teu pai sair de casa hein?


Eu fiquei imaginando esse casal no começo da relação. Devia ser tão bom. Eles jovens, carinhosos um com o outro, realmente querendo estar sob o mesmo teto sem querer dar um tiro na pessoa amada. Deviam fazer sexo, no mínimo, umas 2 vezes por dia. Ai corta pra cena da conversa no celular. Deprimente.

As vezes parece que o tempo acaba com qualquer relação, principalmente as que envolvem sentimentos. Aí entra o casamento. Um contrato assinado que tem por objetivo destruir a ordem natural das coisas. Tudo na vida começa, acontece e acaba. A maior prova disso é justamente o amor, a paixão, o sentimento. Como diria Vinicius, 'que não seja eterno, posto que é chama'. É chama e se apaga. Minto, não acaba, nem se apaga, se transforma, em outra coisa que pode ser boa ou ruim. Mas isso é outro papo. O certo é que o que você sente não vai durar pra sempre. Mas ao invés de simplificar as coisas, ao invés de investir na sinceridade, nós nos prendemos ao expediente social. Tem um texto do Arnaldo Jabor em que ele escreve que o melhor a se fazer seria dizer um pro outro algo como "olha, vamos passar por bons e maus momentos e, mais cedo ou mais tarde, um dos dois, ou os dois vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Seria manter a beleza e a novidade do começo do relacionamento por ele todo, até que se acabe, naturalmente. Somente um sonho, talvez. Mas um sonho sem contrato. Iria doer, penso eu, terminar algo tão bom. Mas pelo menos nós não seríamos obrigados a ver algo que foi tão bom definhar e se tornar uma competição pra ver quem consegue ferir mais o outro, em nome do sagrado matrimônio. Pra não traumatizar as crianças. Por que terminar seria feio, moderninho demais. No fim, somos todos pedras paradas no mesmo lugar.

Toca Raul, de novo.


Ps: Odeio vídeo com imagens.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hein?



Nós tentamos entender. É o que nós fazemos. É a nossa premissa básica. É o que alguns entendem por crescer, outros por aprender, não importa. Perguntar é o que nos torna racionais, ou o contrário, não sei. Nós perguntamos o tempo todo, o que nos leva a viver em busca de respostas, que por fim, talvez, nem existam. Se existem, são privilégios de certos privilegiados. Nós ficamos apenas com os questionamentos.

Perguntar não ofende. Nem é ruim. Como diria um certo poeta, a resposta certa não importa nada, o essencial é que as perguntas estejam certas. Buscar resposta pra tudo é natural. Pode levar um indivíduo ou outro a loucura, causar um suicidiozinho ali, outro aqui, mas é natural. O ruim disso tudo é correr atrás de resposta fácil. Ou melhor, não correr atrás de resposta nenhuma, só engolir verdades prontas.

Tentar entender por muitas vezes é doloroso e chato. O mundo por si só não é um lugar fácil de se entender, não vem com manual de instruções. Além disso, se você tenta entender tudo sobre tudo, ao mesmo tempo, entra em parafuso. Mas é isso o que nos torna mais do que animais que vivem por instinto. Claro, ser um animal que vive por instinto as vezes seria uma ótima opção. Comer e fazer sexo seriam os únicos objetivos. (Como assim, seriam?) De qualquer forma, voltemos ao foco.

O mundo tá cheio de respostas, de verdades. É só ler o jornal e escolher no que acreditar, não precisa nem pensar. Ou ouvir o rádio. Ou ir a igreja. Não me entenda mal, querido leitor inexistente, fruto da minha imaginação. A fé é um dos sentimentos mais bonitos que nós temos. O que tá errado, na minha humilde visão, é acreditar em algo sem nem pensar sobre o assunto. Religiões são como pacotes de viagem prontos. "Nesta aqui nós temos 1 Deus, 1 messias, acompanhados por 10 mandamentos, mas se o senhor quiser um pacote mais exótico, temos a religião dois: são mais de 100 deuses a sua escolha. Tem umas regrinhas sobre humilhar outros seres humanos e não dar direito nenhum as mulheres, mas as 15 virgens lhe esperando no céu valem o investimento."

Ideologias à parte, o lugar-comum, a preguiça de pensar, é uma merda. Quando se trata do que sentimos então, piora tudo. O tal do amor por exemplo. Ninguém sabe o que é, mas todo mundo ama. As vezes parece que uma atração física, junto com um certo nível aceitável de conversa, misturado com a vontade de estar junto é mais do que suficiente pra se dizer 'eu te amo'. E quando muito se tem a sorte de ter tudo isso. Mas o amor é um sentimento nobre, não é? Tem que ter algo a mais, tem que ser único, especial, tem as almas gêmeas e tal, não? Não sei. Não vou nem entrar no mérito da beleza física e como ela ajuda a tornar tudo isso mais fútil. Agora a pouco vi um filme bobinho que eu já tinha visto. O que importa sobre ele é algo que um personagem diz a um outro que tinha feito algumas besteiras e dizia amar a mulher: "O que você sente só diz respeito a você. O que realmente importa é o que você faz pra quem você diz que ama"

Não responde nada. Mas é bom pensar assim quando você vê um/uma idiota qualquer falando de sentimentos que não conhece, nem procura entender. E no mais a mais, respostas não servem pra nada. O que vale são as perguntas.





Ps: Desculpa, não tinha vídeo melhor, nem versão melhor. A música foi 'reconstruída'. Mas a letra fecha com o post. Eu juro.



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ah, véio

Menos de 20 anos de idade, e já se identificam diversos sinais de velhice.

Dores em diversas partes do corpo são coisas normais. Típico de tiozão velho, atleta de fim de semana.
Existe forte preguiça para tirar a bunda da cama, da cadeira, ou de sair de qualquer lugar aonde o corpo fique em repouso por mais de 10 segundos. Se for possível, se cria uma doença na hora só pra não precisar mover um músculo.
Mas os problemas não são apenas físicos. A preocupação com dinheiro já toma uma parte considerável dos pensamentos. Sem dinheiro, surge a preocupação em achar trabalho.
Quando se arranja trabalho, vive-se de forma robotizada, e quase sem tempo livre. Se esse tempo livre é mal utilizado, aí surge outro problema.

Com as pontadas de velhice precoce, se passa a achar que todo mundo irresponsável.
Se enxergam defeitos em várias coisas, sejam importantes ou não, e fica-se na obrigação de meter o dedo na história para que não acabe em merda. Esses jovens tinham que apanhar de cinta.

Gosta-se de bandas velhas, e músicas que parecem bregas aos ouvidos dos dias de hoje. Eles não sabem o que é música de verdade, e gostam de música sertaneja para comprovar isso.
Não se aguenta mais ouvir conversas sobre carros, motos e demais coisas motorizadas que representem status. Ao meu ver, essas coisas servem, apenas, para se ir de um lugar para outro.

Cada grupo de idade, agora, passa a ser visto de uma forma.

Crianças são chatas, pentelhas e só querem sua atenção para ganhar doces e brinquedos. Do contrário, elas choram e te fazem passar por tongo malvadão.

Adolescentes são uma desgraça, nojentos. Corpos disformes, que transitam por aí usando uniformes e badulaques coloridos. Emos pintados com glitter, gordos malvestidos, menininhas secas e sem-graça que andam rebolando - outras, não tão secas assim.
Adultos são egocêntricos - possuem relativo dinheiro, relativo poder e estão no comando das ações.
E os velhos? Sendo generalista e vagabundo, daria pra dizer que os velhos não trabalham mais, e não formam opiniões concretas. Pouco ouvem música, e já não são tantos os que tem os automóveis como pauta cerebral permanente. Ou seja, já não são mais os mesmos velhos de antigamente.


De onde tiramos que todas essas chatices que comentei são "coisas de velho"?
Não foram desses velhos que herdamos as tais chatices...

É tudo uma farsa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quintana



"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação."

Eu respeito os números. Admito sua perfeita exatidão. Irritante exatidão. Minha limitada cabeça, tão subjetiva, nunca conseguiu e nunca conseguiria fazer da minha vida um sem fim de cálculos e resultados. Eu sempre precisei de interpretações. De várias formas de se ver um único fato, um único texto, uma única música.

Isso que dá estudar assuntos relacionados com a mente humana. Você não pára de divagar. Aulas de filosofia, por exemplo. As poucas que tive durante a vida sempre me fizeram pensar na vida, no universo e tudo mais. Acho que interpretar e entender o ser humano é um objetivo da minha lista de objetivos que não levam a nada. Claro, quando você tenta entender algo, faz uma viagem ao passado, pra ver o que já aconteceu, por que aconteceu, quem foi o infeliz estagiário que deixou acontecer, essas coisas.

Passado esse que me faz voltar a filosofar. Nietzsche, objeto de estudo das aulas de filosofia desse semestre na faculdade, tinha uma visão sobre o passado muito particular. Não espere muito da minha memória, mas pelo o que eu me lembre, o perturbado pensador alemão dizia que tentar entender o passado sem nenhuma finalidade clara é o que torna impossível a plena felicidade humana no presente. Fétido resumo simplista esse, eu me envergonho dele, mas, quando bem explicado, mostra como a melancolia de remoer fatos que já foram nos impede de existir no agora.

Nietzsche, como eu já fiz questão de enfatizar, era um cara perturbado. Quem leu o livro "Quando Nietzsche chorou" vai entender. E se alguém aí realmente leu, não me conte o final. É um livro muito bom, mas incrivelmente chato. Não consegui chegar ao fim.

Você, querido leitor aleatório, deve estar pensando agora "Tá, se era pra falar desse maluco, que sentido faz o título do texto?" Aí eu te respondo "Nenhum, idiota!" Brincadeira. Mário Quintana foi um grande poeta. O melhor poeta brasileiro na minha opinião. Acho que eu não conheço nenhum outro. De qualquer forma..

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...


E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

1x0



Dia desses um pensamento que vagava pelo ar não tinha nada melhor pra fazer e veio me aportunar. Dizia ele que as minhas primeiras lembranças nesse lugar estranho e redondo tinham alguma relação com o futebol. A primeira delas, da copa de 98, traz três sensações. Primeiro, a chegada de alguns amigos dos meus pais para o fatídico jogo contra a França. Animação, todo mundo de camisa amarela, bandeirinhas, essas coisas. Depois, o espanto pelo aparecimento do nome do Edmundo no lugar do, na época, Ronaldinho. Aquela confusão toda e por fim, a decepção.

Claro, eu tenho lembranças anteriores a isso, mas nenhuma com data marcada. Não sei quando foram. Com o futebol eu sei. Teve essa de 98, alguns anos bons do meu time, copa de 2002, entre outras, boas e ruins. Pode ser besteira, mas vai saber se essas lembranças de paixão extrema durante a infância não ajudam a construir o que uma pessoa se torna.

Tenho pra mim que nenhum povo tem uma relação tão íntima com um esporte como o brasileiro tem com o futebol. Isso provavelmente não é verdade, mas que se dane. Eu nasci aqui e sei muito bem como é ser louco por um time, sentir o coração explodir com um gol, perder um dia, ou mais, por uma derrota.

Lá dentro do campo então, ou da quadra, só quem ama jogar bola sabe. Muitas vezes um jogo entre amigos no fim de semana tem mais suspense, dor e redenção do que qualquer filme. Acho que li em algum lugar que um jogo de futebol é uma espécie de maquete da vida. Tudo acontece ali da forma que acontece do lado de fora, guardadas as proporções. Alegria, tristeza, raiva, tudo no mesmo jogo, as vezes no mesmo lance.

Meu arquivo de fontes ta horrível. Não lembro quem disse, ou exatamente o que disse, mas era algo como 'não há lugar melhor para se descobrir o caráter de um homem do que dentro de 4 linhas'. Era um grande jogador, de defesa. Djalma Santos talvez? Não lembro. De qualquer forma, é verdade. Uma pessoa se comporta no jogo como se comporta na vida. Já vi isso algumas vezes, e sinto isso em mim quando jogo.

Futebol pode até ser só um esporte, como outro qualquer. Pode ser até chato pra quem não gosta. Mas seja você bom ou ruim, torça pro time campeão ou pro que foi rebaixado, experimente parar no meio de um jogo, esteja você no meio dele ou não, e tente sentir seu coração. Quando eu faço isso, das duas uma: ou ele ta prestes a ter um colapso, ou ta parado.



Ps: Não querendo estragar a magia, mas pelo o que eu já ouvi, o fato realmente aconteceu, mas não foi gravado. Isso é uma reconstituição. Hihi
Ps2: Só escute, não leia. Por favor. "Todos os tempo". Me mata de vergonha.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cê riu?

Bobo, mas bom. Vale pelo menos um "kkkkkk"?

Faz algum tempo que começou a ser usado o tal do "eu ri" em conversas pela internet, pra reforçar que a pessoa, de fato, achou graça do que viu ou leu.
É verdade que, "desde sempre", digamos assim, digitar risadas durante as conversas é praticamente involuntário. Já que as pessoas não estão se vendo, e não dá pra saber qual a feição do outro - se está gostando do que lê, ou repudiando totalmente -, usar expressões clássicas como "huahuahua" vem a calhar, principalmente para demonstrar interesse no assunto, atenção, criar uma simpatia, enfim.

O tempo passou, e foi trazendo novas (e cruéis) mudanças. Outras coisas começaram a substituir o huahuahua, tais como o providencial hehehe, o bizarro kkkkkk, além do uso de emoticons (infestando as conversas de MSN)... destaque também para o catastrófico e não menos falso rsrsrs. RSRSRSRSRSRSSSSSSSSS

Pois bem, atualmente, vindo dos hábitos de blogueiros descoladinhos e de indies internéticos em geral, chega no cenário o "eu ri". E, com ele, uma breve era de sinceridade humorística nas conversas on-line. Quando contam alguma coisa que faça a pessoa que utiliza o eu ri realmente rir, não dá outra. Se ela não disser a tal expressão, é porque não achou graça.
Com isso, pelo menos por algum tempo, fica bem mais fácil diagnosticar casos de risadas meramente sociais na internet.

Obviamente, expressões como HAHUAUHAUHAUHAUHAUHA continuarão soando um tanto quanto sinceras.


Falando em inutilidades e risadas estranhas... coitado do veínho:



haaa, hihi... hiihii... hióin hióan hióAN